sábado, 7 de setembro de 2013

PARABÉNS BRASIL

Um dia de grande comemoração para a população brasileira. Dia 7 de setembro, vamos comemorar todos juntos, com a mão no peito, cantando hinos. Desfilando nosso orgulho de sermos brasileiros, nas ruas das cidades, na capital do país.
É o dia de lembrarmos que já fomos dependentes. Porém lutamos, contra Ingleses, Holandeses e Portugueses. Foram anos de guerra até conseguirmos nossa grande Independência. Sim essa nossa grande independência.
Um amigo, Márcio, falou-me certa vez dos significados do número sete. Disse que sete é um número cabalístico. Sendo agora mais explicativa, “Cabala, além de seu sentido genérico de tradição oral -- as interpretações dos textos sagrados, expressos na torah shebeal pe (doutrina oral) -- é um conjunto de preceitos e especulações místico-esotéricas da filosofia religiosa judaica, sob a influência de outras doutrinas.”. Foi em sete dias que Deus criou o mundo, sete dias tem uma semana, antigamente setembro era o mês sete, daí setembro. Era também o mês que na Europa dava-se início à época das vacas magras, pois o inverno se aproximava. Sete dias é o tempo que demora cada fase da lua. E Jesus disse: "Deves perdoar setenta vezes sete" Sete é um número perfeito. Daí tudo se explica e se aplica ao nosso País. É um país perfeito.
E se nossa independência tivesse ocorrido dia 8 de setembro, ai tudo ia ser diferente. Não seríamos o país das maravilhas. Haveríamos de ter mensalões para políticos corruptos, fábricas de cuecas especializadas em couro, para maior resistência e durabilidade. Teríamos políticos condenados pedindo aposentadoria por invalidez. Como também os mesmos condenados livrados da cassação, porque seus colegas deputados são tão legais, que não cassaram o mandato do coitadinho. Bem como, políticos, nossos representantes presos ao país, pois se colocar o pé fora, a INTERPOL poderia imediatamente prender.  Já pensou como seria se fosse OITO de setembro, talvez os políticos, familiares, iriam criar empresas fantasmas, fraudar licitações, ter contas em paraísos fiscais. Seríamos um País subdesenvolvido, veríamos crianças passando fome. Conheceríamos um fenômeno típico deste tipo de governo, o Coronelismo, quem sabe também existiriam políticos paternalistas e populistas. Íamos vender parte do nosso patrimônio a preço de banana, imaginem só, nosso país tão rico e tão próspero sendo vendido a preço de banana para multinacionais, chega a ser até chocante pensar isso.
Entretanto, ainda moramos na famosa Pasárgada de Manoel Bandeira. Pois graças aos números da cabala, escolhemos o dia certo: SETE DE SETEMBRO. Melhor ainda, não foi um brasileirinho qualquer que nos proclamou independentes, e sim um grande português que nos quis tanto bem: D. Pedro I. esse sim merece todo nosso respeito, como dedico todo respeito aos Grandes presidentes que fizeram nossa história.


domingo, 21 de julho de 2013

Construindo conhecimento

É inquestionável que somos produtos do meio, que existem milhões de fatores que nos levam a possuir uma opinião, um ideal, um conceito, uma escolha. O primeiro referencial são nossos pais, deles herdamos o que define nosso comportamento. Depois vem os vizinhos, os colegas de escola, os professores, os primeiros amigos, e talvez nesse momento é que começamos a colocar em prática a dialética hegeliana quando comparamos o que nossos pais nos ensinaram com o que os amigos, os professores e outros fatores externos contrapõem.
Estudando sobre influenciação de lideranças (assunto da área de administração) conheci as formas: coação, persuasão, sugestão e emulação.
O comportamento humano é extremamente complexo, e por isso os graus de influenciação são aceitos de formas diferentes de acordo com as peculiaridades do ser humano. Há pessoas que funcionam bem sob a coação, outras pela sugestão. Há aqueles que para influenciar utilizam-se da emulação. Emulação é quando o influenciador tenta igualar-se ou ficar quase parecido com o interlocutor, ou seja, para conseguir influenciar uma pessoa, é preciso pensar de forma igual, com linguagens e posturas parecidas. Outra forma, a persuasão, é quando o influenciador usa de argumentos plausíveis para tentar convencer o interlocutor. Em se falando de argumento é importante diferenciá-lo de opinião, de achismos, pois argumentos são proposições em que há premissas verdadeiras e um resultado ou conclusão verdadeira ou falsa.
Um exemplo de argumento:
Premissa 1 - vitamina C é um antigripal infalível.
Premissa 2 – Joana toma vitamina C todos os dias.
Conclusão – Joana não ficará com gripe.

Esse é um argumento válido, verdadeiro, tendo em vista que a conclusão está de acordo com as premissas.

Ou:
Premissa 1 - vitamina C é um antigripal infalível.
Premissa 2 – Joana toma vitamina C todos os dias.
Conclusão – Joana mesmo assim ficou com gripe.

Percebe-se que a conclusão não é válida. Pois em uma das premissas diz que vitamina C é um antigripal infalível.  

Então, logicamente, o interlocutor será obrigado a concordar ou discordar de acordo com os argumentos utilizados pelo influenciador. Acontece que, quando o sujeito não conhece ou não se interessa pela contraposição, ele certamente irá de imediato concordar com o influenciador, pois não possuía argumentos para destruir ou invalidá-lo.
É nesse momento que a dialética hegeliana entra em cena. De acordo com Hegel, é preciso conhecer a ideia, contrapô-la e logo após formar um novo conhecimento, uma nova ideia. É formada pela tese, antítese e síntese. De forma bem simples, a tese é a afirmação inicial, a antítese é a oposição à tese, e deste conflito nasce a síntese, que é o novo conhecimento, nova faceta da afirmação inicial. Conforme Hegel “este processo de contradição e desenvolvimento é inerente à realidade histórica e ao pensamento, e que o exercício dessas contradições necessariamente conduz a estágios mais elevados.”
É assim que está se fazendo a construção do conhecimento, por isso que sempre vai crescendo em estágios contínua e infinitamente.
Diz Descartes, em sua obra O discurso do método que “Muitas vezes as coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las tornaram-se falsas quando quis colocá-las sobre o papel.”
Ótima leitura para quem quer iniciar no mundo da Filosofia, pois em toda a evolução do livro ele questiona a validade do pensamento, e um bom filósofo sempre duvida de tudo (risos). Dizia ainda que até os nossos pensamentos podem nos enganar, inclusive, que o homem não possui ideia ou pensamento perfeito.
A construção do conhecimento é árdua e nada fácil. Se formos nos atinar a isso diariamente ficamos até receosos de ter opinião com medo de estarmos sendo enganado pela nossa própria ideia ou pensamento. E por isso que não devemos ter medo de mudar de opinião, mesmo que diariamente, pois é assim que se constrói o conhecimento.
Aí eu pergunto: Você pretende ser o influenciador, o construtor de conhecimento ou o agente passivo puramente resultado do meio?


domingo, 2 de junho de 2013

Você mandou eu escrever

Às vezes penso que seja necessário um quê de razão na hora de escrever. Nunca devemos escrever quando estamos tomados por sentimentalismos, isso atrapalha a ordem dos pensamentos. Escrever levado por impulso atrapalha também no esclarecimento das ideias.
Quando entramos na faculdade, aprendemos que no modelo científico devemos ter referencial teórico para defender qualquer que seja ideia ou pensamento. Por exemplo, eu posso dizer que é necessário nas empresas haver boas relações humanas, qualidade de vida, boas condições de trabalho e não digo isso apenas por dizer, digo por que Elton Mayo fez a “Experiência de Hawthorne, que tinha por objetivo inicial estudar a fadiga, os acidentes, a rotatividade de pessoal, e o efeito das condições físicas de trabalho sobre a produtividade dos empregados. Essa experiência foi também motivada por um fenômeno apresentado de forma severa à época na fábrica: conflitos entre empregados e empregadores, apatia, tédio, a alienação, o alcoolismo, dentre outros fatores que tornavam difícil a convivência no meio trabalhístico”. E assim provou que o trabalho é mais produtivo se há empregados mais felizes, motivados e satisfeitos.
Imagina então, num ataque de sensibilidade falar sobre o humanismo e qualidade nas relações de trabalho. Ia ser um blá-blá-blá cansativo cheio de ressentimentos, "achismos" e subjetividades. Por isso a importância do referencial teórico, a gente esconde ressentimentos e mágoas por trás de palavras de homens que foram lá, provaram que o que você “acha” realmente funciona, já foi testado e aprovado.
Outro lado ruim de escrever em um momento de mágoa ou tristeza provocada por alguém próximo, é que seu texto vira automaticamente uma indireta postada em um blog. Já fiz muitas indiretas, tão indiretas que eu tive que ir lá dizer:
-Ei! Fulaninho! Veja o texto que escrevi para você, não é lindo?
Pois é, essa pessoa não achou o texto lindo, porém, quem não entendeu a mensagem/indireta, caiu em elogios.
Então, já que estou aqui a falar sobre base teórica, pois bem, devo embasar isso tudo que acabei de escrever, e a única maneira que achei, foi que a Língua Portuguesa diz ser uma metalinguagem, o que, segundo o dicionário informal: É a utilização do código para falar dele mesmo: uma pessoa falando do ato de falar, outra escrevendo sobre o ato de escrever, palavras que explicam o significado de outra palavra.
E não, esse texto não é uma indireta, sinto decepcionar. É que uma amiga hoje me perguntou por que eu não escrevia mais, daí resolvi escrever.



sábado, 2 de fevereiro de 2013

O que é felicidade?


Ouço vez ou outra, comentários do tipo, não existe felicidade, existem sim momentos felizes, alegres, ninguém é feliz. Foi ai que comecei a pensar sobre ela, rolei na cama de um lado para o outro, não conseguia dormir de tanto pensar nas infinitas possibilidades de ser feliz.

Ser feliz é estar com os amigos. É estar com a família. É conversar sobre o assunto predileto, ou apenas conversar. Ser feliz é sentir a pele do homem amado e sentir-se inteiramente satisfeita só de ter aquela pele tocando na sua. Ser feliz é conversar a noite toda com o amado, é contar histórias tristes ou de terror, é compartilhar. Ser feliz é ouvir música, sobretudo àquelas das quais tem maior apreço. Ser feliz é dançar, ou ver outros dançando. Ser feliz é correr, e parar. Ser feliz é acima de tudo comer, ah como é bom comer. E comer chocolate é mais feliz ainda. Ser feliz é acordar, é ir dormir, é esticar os ossos doloridos da correria do dia-a-dia e relaxar, somente relaxar. Ser feliz é tomar banho, e quando o banho é de mar, melhor ainda, e falando em mar, ser feliz é comer peixe com uma geladinha. Ser feliz é se produzir, ficar bonita, é ficar feia e super à vontade. Ser feliz é dizer que ama, é dar um abraço. Ser feliz é ver o amigo se dando bem. Ser feliz é olhar a chuva, olhar o pôr-do-sol, a lua-cheia, o vento batendo no rosto num dia quente, ser feliz é olhar a natureza e sua beleza, as flores. Ser feliz é olhar para um filho, ou um sobrinho, e sentir-se inteiramente emocionada pela existência daquelas criaturinhas. Ser feliz é ouvir um elogio, um muito obrigado, ou ouvir apenas boa noite de quem menos esperava.
Vê-se que quando rolei na cama, não foi apenas com esses motivos, pois são infinitos os motivos de felicidade, mas ainda neste ínterim, pensei: A felicidade é algo constante, o que existe são momentos tristes.
Uma doença, uma morte, uma separação. Isso é triste, mas é momentâneo, uma hora a dor passa. Triste é ter fome e não comer, ter sede e não beber. Triste é ver a infelicidade alheia, a pobreza de espírito dos que mais gostamos. Essas coisas interrompem por um momento a felicidade constate.
É frustrante trabalhar duro e não ser recompensada, e dizer boa noite e não ser correspondido. São estressantes aquelas criaturas lindas que há pouco lhe faziam tão feliz tirando sua paciência. Essas pequenas coisas também interrompem a grande felicidade constante.

Portanto, como uma atividade diária, contemos os momentos felizes e os momentos tristes, aí saberemos o que é realmente é constante e momentâneo na sua vida.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vida média

A vida é um ciclo. Se olharmos ao redor, vemos meninas de 18 anos usando roupas e sapatos parecidos com o que já vimos nossas mães usando. Vejo homens com cabelos Black- Power e lembro das fotos de meu pai usando o mesmo modelo há mais de vinte anos atrás. Falando de ciclos, nunca deixaria de citar Cazuza que dizia: “eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades”. Não fiquemos desanimados, a vida é assim mesmo uma eterna repetição, mesmo que não percebamos, estamos fazendo exatamente tudo que nossos pais já fizeram. Variamos de um lado ou de outro, inovamos e até criamos, mas não deixamos de repetir as mesmas coisas.
Sei que estou sendo repetitiva, mas não posso deixar de citar Nietzsche e o eterno retorno. Ele fala que o eterno retorno seria uma maldição, em que tudo que se fizesse hoje se repetiria eternamente. Caso fizéssemos boas escolhas, como uma vida saudável, feliz, amigos, viveria eternamente essa vida. Caso contrário, escolhesse uma vida sem sentido, em um emprego que não gosta, em um casamento infeliz, em uma busca apenas por coisas superficiais, assim seria eternamente sua vida, não poderia mais mudar.
Suponho que o eterno retorno realmente exista, com a diferença que podemos escolher mudar. Podemos escolher uma vida criativa, feliz, podemos escolher ou não um bom casamento, uma boa carreira. Podemos escolher ou não viver à espera de um milagre, ou simplesmente fazer de cada dia um milagre.
Sei que tudo isso parece mais um clichê da vida feliz na contemporaneidade, que sua vida é cheia de obrigações para parar para pensar neste monte de bobagens sobre vida feliz, isso ou aquilo, outros até diriam que vida feliz é feijão na mesa. De acordo com a pirâmide de Maslow, acredito que vocês estão cheios de razão.
A sensibilidade, o idealismo, a auto-realização, dentre outros estão lá no topo da pirâmide, e também não deixamos de ter razão por querermos coisas assim. E neste ínterim, toca-se no assunto mudança novamente, um tema que anda rodeando meus sentimentos e pensamentos, entretanto, o que me motivou a escrever essas linhas não foi apenas a mudança, mas o que ela provoca nas pessoas.
Acompanho diariamente a vida social dos amigos e mais próximos no facebook, e compreendo o que se passa na cabeça de muitos ali apenas por uma porção de postagens e de comentários. Percebi, e não foi surpresa, que a motivação de muitos dos meus contemporâneos e conterrâneos, é derivada de uma vida superficial, cheia de interesses, e uma mediocridade que não dá para sentir inveja. Somente uma observação, quando falo de mediocridade, não tenho em minha mente que a pessoa seja menor, ou menos inteligente, ou mais idiota. Penso apenas que um medíocre vive uma vida média, sem graça, sem pretensão, sem rumo, sem aquele brilho nos olhos que dá vontade de ver.
E o que compreendo ainda mais sobre mediocridade dos meus conterrâneos, foram suas motivações em um momento político importante para o ponto de partida de mudança da cidade. O que vejo são muitos ressentidos por não terem conseguido um bom emprego, pensam eles: “eu estava lá, fui a todas as palestras, carreatas, fui aos sítios, ajudei, coloquei meu carro para rodar com minha própria gasolina, mereço o melhor emprego”. Isso é medíocre, mal sabe essa pessoa, que as suas escolhas políticas podem melhorar a educação, a saúde, o entretenimento, e que isso é muito mais importante, pois terá muitas e boas consequências no futuro, dentre elas a tal vida financeira a qual tão almejam.
Mas não só vejo a mediocridade rondando a cabeça das pessoas atrás dos empregos não, vejo também em algumas lideranças. Como estudante de administração, posso não ter aprendido a ser a melhor administradora ou líder, mas aprendi a observar. Dentro da percepção de boa administração leva-se mais em conta a razão do que a intuição, sobretudo, leva-se pouco ou nada em consideração se a pessoa a ser escolhida foi partidária ou não. É por essas e outras coisas que existe o emprego por indicação, o nepotismo, e acima de tudo, existe uma máquina pública que mal funciona e precisa mais e mais da contribuição da população pagando altos impostos.
Se um líder sequer pensasse antes de qualquer coisa na hora de montar uma equipe, em meritocracia, a coisa mudava de rumo, poderíamos até ser considerado um país evoluído. Segundo a Wikipédia, meritocracia é: “um sistema de governo ou outra organização que considera o mérito (aptidão) a razão para se atingir determinada posição.” “Em sentido mais amplo pode ser considerado uma ideologia. As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento e entre os valores associados estão educação, moral, aptidão específica para determinada atividade. Em alguns casos, constitui-se em uma forma ou método de seleção”.
As organizações e governos que utilizarem-se da meritocracia como guia de seus códigos de ética e conduta poderiam se considerarem superiores em eficácia, eficiência, sobretudo, em excelência, pois onde há os melhores funcionários, os mais engajados, os mais apropriados e preparados, são os mais responsáveis pelo crescimento, seja econômico, educacional, social, sendo um diferencial em um país de dinheiro na cueca, puxa-saquismo e clientelismo. Todavia, Belchior, sempre tão atual já disse: “nossos ídolos ainda são os mesmos, e as aparências não enganam não, você diz que depois deles não apareceu mais ninguém, você pode até dizer que estou por fora, ou então que estou inventando, mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sobre o amor e a caridade



Andei pensando sobre o amor, daí perguntei a alguém o que era o amor, e ele respondeu que depende. Pode ser amor de mãe, amor de irmão, amor marital, sexual, enfim, não dá para responder o que é o amor.  Segundo o dicionário Aurélio, amor é, entre tantos significados: Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa, sentimento intenso de atração entre duas pessoas, ser que é amado, disposição dos afetos para querer ou fazer o bem a algo ou alguém, entusiasmo ou grande interesse por algo, ligação intensa de caráter filosófico, religioso ou transcendente, grande dedicação ou cuidado. Ahhh o amor! Tema tão discutido desde a antiguidade até hoje. O amor fraternal, o amor romântico.
De acordo com a bíblia, sobretudo, I coríntios 13, o amor deve a tudo suportar, tudo esperar, tudo crer. Deve ser sofredor e bom, não deve ser invejoso e não se irritar. O amor pensa no outro e não busca os seus interesses.  O amor deve ser justo e verdadeiro.  Vivemos em um mundo, tenho a impressão, desistente do amor. É tão difícil amar, que é melhor não amar. Porque, para amar eu preciso ver o interesse do outro e não o meu, eu tenho que usar da justiça, mesmo sendo maléfico para mim mesmo.  Tenho que ser verdadeiro, mas não é aquele verdadeiro que diz tudo na cara, que magoa as pessoas, mas simplesmente aquele vive na verdade. É, parece mesmo que deixamos de amar. Hoje nos apaixonamos e pronto, sem comprometimento. Amamos nossos pais, até porque eles nos amam incondicionalmente, assim é bem fácil.
Falar de amor é falar de humanidade. E quando toco neste assunto lembro-me de um personagem e um episódio. O personagem que lembro é Zaratustra, poeta de Nietzsche, que dizia que nós somos egoístas por instinto. O que há de amor e caridade é nada mais nada menos do que máscara social que usam os mais hipócritas. Pensei muito a respeito do pensamento deste Zaratustra. Pensei tanto, que passei a acreditar que tudo o que eu fazia era apenas por mim, nada e nunca por benefício de outrem. Mas depois de um longo tempo racionalizei e pensei novamente, se o egoísmo é instinto, a bondade deve ser também. E lembrei-me de muitos outros filantrópicos, Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, São Francisco, enfim, a lista felizmente é grande. Mas sem rodeios, vou falar sobre o episódio. Um dia fui à missa assistir a uma homilia de um Pe. Doutor em filosofia. Esperava os conceitos mais racionais, e raciocináveis, porém, o que mais me marcou, e lembro até hoje disso não foi complexo ou retórico, foi o que de mais simples existe e disse: “as pessoas estão buscando a santidade, mas passam por uma calçada vêem um pobre faminto, e ficam alheias”. Estas mesmas não se indignam com a injustiça social, aliás, muitos são alpinistas sociais. Passam e vêem pessoas não só desnutridas de alimentação, mas de esperanças de um mundo melhor, mais justo. Passam por jovens sedentos por conhecimento, mas com inchadas nas mãos. Mulheres com fome de cultura, mas com uma trouxa de roupas nas costas para lavar e ganhar o seu dia. E o que fazem, o máximo que querem é garantir o seu. Ele completou que antes de querer ser santos, devemos ser mais humanos, e parar para olhar essas coisas, que são sim de nossa responsabilidade, pois até na hora da escolha dos nossos representantes devemos nos lembrar de tudo isso. A lição: tentar ser humano.
Mas voltando ao início do texto em que cito um trecho da bíblia, no mesmo texto diz que mesmo eu possuindo o dom das profecias, o dom de todos os mistérios e toda ciência. Se tivesse toda fé, se não tivesse amor de nada valeria. E no fim ainda diz que tudo cessará, mas não o amor. E contextualizando, vi uma frase que me chamou atenção: "Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí sim eles verão que dinheiro não se come”. Pois é, o dinheiro também acaba, e a nossa carne vai ser servida aos vermes, a única coisa que deixaremos será, talvez, uma boa lembrança de que fizemos algo de útil por amor, arte rara da contemporaneidade.

domingo, 25 de novembro de 2012

Mudança, quem tem medo dela?


Vivemos bitolados em um mundo tão controlador, que fechamo-nos, ficamos inacessíveis, nos desconhecemos completamente, chegando a nos tornar meras máquinas, que vez ou outra precisa de um up-date, uma varredura, um escaneamento. Mas em que momento paramos para pensar em/e sobre nós mesmos?
A maioria das pessoas, além de não se auto-analisarem, sequer se importam com isso, vivem uma vida tão medíocre, tão rasa, tão superficial, que simplesmente não entendo, como conseguem ser pessoas felizes. Mas ao viver um pouco dessa vida eu entendi o porquê da mediocridade, da falta de interesse em querer saber quem são. Nós ficamos tão atolados com o que o mundo nos impõe ou apresenta, que nos rendemos a ser meras máquinas.
Funciona da seguinte maneira: O computador é ligado, executa demasiadamente todas as funções manobradas pelo sujeito humano, o estabilizador esquenta, e percebe-se que está na hora de desligar, caso contrário, é preciso substituir a máquina, pois algum dos seus componentes começa a falhar. Começa pela memória, ela fica desgastada, e é neste momento que se compra outra com mais gigabytes. A ventoinha para de “ventar” a máquina esquenta, e é preciso trocá-la. Inúmeros vírus se instalam e é feito um escaneamento, porém, acaba-se perdendo documentos importantes, então, quando é a placa-mãe, o pensamento do técnico em informática é o seguinte: quando a placa mãe para de funcionar, o melhor mesmo é trocar por outra máquina, no entanto, para redução de custos compra-se uma nova placa mãe, e a máquina vai arduamente fazendo seu trabalho diário.
O processo então é muito simples, é igual ao que estudamos na escola: a gente nasce, cresce, amadurece, reproduz e morre. E num pensamente cartesiano vivemos nossa vida mecanicista. A gente estuda e trabalha demasiadamente durante todo o dia, a gente chega em casa às 22hrs cansados. A gente toma um banho, come algo e dorme. Chega um momento que a memória começa a falhar e começamos a usar agendas. Logo em seguida vêm os problemas gastrointestinais oriundos de uma má alimentação, fazemos dietas. Por conseguinte, a baixa-imunidade possibilitando a facilidade de diversas doenças se instalarem. Com isso paramos de sermos produtivos, e os técnicos acham que é melhor a substituição, porém, é alto o custo de novas aquisições, e a máquina humana vai arduamente fazendo seu trabalho diário.
Será que as máquinas humanas começaram a darem conta de si mesmas? Será que elas se conhecem? Será que elas entendem que o pânico que sentem, o medo, o terror são oriundas de algo dentro delas, e que somente elas sabem? Será que as máquinas humanas vão olhar dentro de si e parar de enxergar veias, artérias, rins e fígados para enfim começarem a perceberem que tudo começa no cérebro, isso que chamamos de coração, e outros ainda chamam de alma?
Eu, como máquina humana não entendia o terror, o medo que sentia. Aquela sensação tão estranha de tentar fazer algo e nunca conseguir sair do ciclo: faculdade, trabalho e carreira. E por apenas um curto período vivenciando esse processo mecanicista, automático, não percebia que me fechava, que não me permitia ser eu mesma, mas ser aquilo que todos querem ser: o profissional bem sucedido ganhando bem, bem casado, com filhos e uma casa linda. Eu estava me perdendo de mim, do eu mais autêntico, do eu mais original, mais criativo, mais intuitivo, e principalmente, do eu feliz.
Nós temos medo da mudança, e que mudança extrema é a de deixar de sermos os outros para nos tornarmos nós mesmos. E que mais difícil, neste mundo tão cruel, nesta carnificina profissional, perceber-se a si mesma, saber-se, e descobrir-se. O medo da mudança é, sobretudo, o medo de não ter nada dentro de nós mesmos, além daquilo que nos fizeram ser. Este é o terror do humano máquina, querer ser humano e não saber-se tão genuinamente, tão intrinsecamente, tão “eumesmamente” e saber separar o mundo, a sociedade, que espera e cria expectativas a julgá-lo um nada. O medo que temos de mudar, talvez seja esse, sair da linha reta, do caminho traçado, e tentar ser feliz com o que se tem.